Milhares de concurseiros tomam as ruas em nova onda de protestos na Índia; entenda
12/08/2026
(Foto: Reprodução) Aprovado em 1º lugar no CNU 2025 tem posse negada por divergência sobre a formação
Milhares de manifestantes no estado de Jharkhand, no leste da Índia, estão realizando marchas até a assembleia legislativa estaudal para exigir uma investigação federal sobre supostas irregularidades em concursos de recrutamento para funcionários públicos, o cancelamento das provas e um processo de contratação mais transparente.
A polícia chegou a utilizar canhões de água contra os manifestantes na segunda-feira (11/08), quando eles tentaram romper as barreiras de segurança a caminho da Assembleia Legislativa de Jharkhand.
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O confronto marcou uma escalada significativa das tensões entre as autoridades e os manifestantes.
O movimento começou em 25 de julho, quando os protestos passaram a ocupar o Estádio Jaipal Singh Munda, na capital estadual, Ranchi.
Em cenas semelhantes aos protestos liderados por estudantes do movimento estudantil satírico Cockroach Janta Party (CJP), ou "Partido do Povo das Baratas", que tomaram Nova Déli no mês passado, para exigir a anulação de provas de seleção para universidades, alguns manifestantes também iniciaram uma greve de fome.
Rahul Kranti, de 40 anos, candidato a um cargo público e um dos pelo menos seis participantes da greve de fome, foi transferido para a unidade de terapia intensiva após seu estado de saúde se deteriorar.
"O futuro da juventude de Jharkhand não será vendido. Vou permanecer em greve de fome, esteja eu no hospital ou no local do protesto", disse Kranti à DW.
Ele prometeu manter a mobilização até que o governo cancele os exames da Comissão de Serviço Público do estado de Jharkhand (JPSC), responsável pelos concursos para a administração estadual, e determine uma investigação criminal conduzida pelo Departamento Central de Investigações (CBI), principal agência federal de investigação da Índia.
Após horas de negociações no domingo, o governo concordou em suspender o exame contestado da JPSC deste ano, e três membros da comissão renunciaram.
Mas os manifestantes afirmam que essas concessões não atendem às suas exigências. Entre elas está o cancelamento do JSSC-CGL, um dos principais concursos para contratação de servidores estaduais em Jharkhand, além da realização de uma investigação federal sobre supostas irregularidades em todo o sistema de recrutamento público do estado.
O que desencadeou os protestos em Jharkhand?
Pelo menos seis manifestantes estão em greve de fome em Jharkhand
ANI News/IMAGO via DW
O estopim foi o mais recente exame para o serviço civil da JPSC, que oferecia apenas 103 vagas no governo.
Mais de 2 mil candidatos foram aprovados para a etapa seguinte, quando os resultados foram divulgados no início de julho.
Pouco depois, começou a circular nas redes sociais a imagem da folha de respostas de um candidato aprovado que teria deixado grande parte da prova em branco, levantando suspeitas de fraude.
A polícia prendeu o candidato envolvido no centro da controvérsia, além de outras dez pessoas, e o presidente da comissão renunciou diante da pressão.
Mas os manifestantes afirmam que essas medidas não enfrentam o problema estrutural.
Quais são as reivindicações dos manifestantes?
Devendra Nath Mahto está em greve de fome há nove dias e perdeu mais de 10 quilos.
Somnath Sen/ANI via DW
Os manifestantes em Jharkhand querem que os resultados do exame sejam anulados e que a prova seja reaplicada.
Eles também exigem uma investigação independente, conduzida por juízes aposentados de tribunais superiores de outros estados ou por autoridades federais.
Os manifestantes argumentam que uma investigação da polícia estadual não seria capaz de examinar adequadamente acusações envolvendo o próprio sistema de recrutamento de Jharkhand.
A Jharkhand Chhatra Sangh (JCS), uma importante organização estudantil do estado, também exige maior transparência na divulgação das folhas de respostas e dos resultados, verificação biométrica dos candidatos, mecanismos mais rigorosos contra vazamentos de provas e responsabilização de autoridades e agências privadas terceirizadas de recrutamento.
A organização estudantil também defende que exames suspeitos realizados nos últimos anos sejam investigados e, quando necessário, anulados e reaplicados.
"O governo precisa reformar completamente o sistema de recrutamento da JPSC e da JSSC, investigar os responsáveis, colocar na lista negra as agências envolvidas em irregularidades e tornar os futuros exames transparentes e à prova de fraudes", afirmou S Ali, presidente nacional da entidade estudantil, à DW.
Os protestos em Ranchi são inspirados pelo movimento estudantil de Déli?
A insatisfação com os exames de recrutamento para o serviço público em Jharkhand vem se acumulando há anos
ANI Photo via DW
O protesto em Ranchi começou poucos dias depois de o CJP, movimento estudantil que ganhou projeção nacional recentemente, encerrar uma mobilização de 36 dias em Nova Déli contra o vazamento de provas do exame nacional de ingresso em cursos de medicina.
O protesto em Ranchi começou poucos dias depois de o CJP (o Partido do Povo das Baratas) encerrar sua mobilização de 36 dias em Déli contra o vazamento de provas do exame nacional de ingresso em cursos de medicina.
O movimento reuniu jovens em greves de fome e acampamentos diante do observatório histórico de Jantar Mantar, na capital indiana, e culminou com a renúncia do ministro da Educação da Índia, Dharmendra Pradhan.
O fundador do CJP, Abhijeet Dipke, anunciou planos de viajar para Jharkhand, enquanto uma delegação do grupo já chegou a Ranchi para apoiar o movimento.
Mas o movimento em Jharkhand é mais do que uma simples cópia do CJP. Os protestos são liderados pelo Fórum de Reformas JPSC-JSSC, juntamente com a Frente Revolucionária Democrática de Jharkhand.
Entidades estudantis, incluindo a All-India Students Association (AISA) e a All India Students' Federation (AISF), também aderiram à mobilização.
Neha Bora, presidente da AISA, visitou os manifestantes em Ranchi.
"Seja em Jantar Mantar ou em Ranchi, esses protestos simbolizam a quebra de confiança que os jovens sentem em relação ao sistema", disse Bora à DW.
"Eles exigem ser ouvidos, mas também estão pedindo mudanças que possam evitar crises semelhantes no futuro."
Jharkhand tem uma longa história de lutas populares relacionadas à terra, à identidade e aos direitos políticos.
A analista política Radhika Ramaseshan afirmou que os estudantes claramente se inspiraram nos protestos de Déli, mas também estão recorrendo a essa tradição local.
"Jharkhand sem dúvida adotou a estratégia do CJP para chamar atenção para um conjunto diferente de questões que também afetam o futuro dos jovens", disse Ramaseshan à DW.
"A diferença é que o alvo dos manifestantes é o governo de coalizão em Ranchi, que, assim como o governo federal, demorou a reagir", acrescentou.
O ministro-chefe Hemant Soren afirmou estar aberto ao diálogo, enquanto as autoridades restringiram protestos em um raio de 750 metros da Assembleia Legislativa até 12 de agosto.
"A solução para todos os problemas está no diálogo, e não em cassetetes e armas", declarou Soren durante o festival tribal anual de Jharkhand, realizado em Ranchi no domingo.
Ele buscou assegurar aos estudantes que os responsáveis pelas supostas irregularidades nos processos de recrutamento serão severamente punidos.
O que a juventude de Jharkhand espera do governo estadual?
Estudantes protestam em Ranchi há mais de duas semanas
Somnath Sen/ANI via DW
Os protestos em Déli mostraram que um movimento estudantil organizado nas redes sociais e impulsionado pela indignação com suspeitas de fraude em concursos e exames pode pressionar autoridades e levar a mudanças concretas.
Os manifestantes em Jharkhand já conquistaram uma vitória com o cancelamento do exame contestado da JPSC deste ano e a renúncia de três membros da comissão.
Mas a juventude da Índia não pretende parar por aí.
Os estados de Bihar, Uttar Pradesh e Rajasthan também enfrentaram grandes controvérsias envolvendo exames de recrutamento. O que tem faltado nesses locais é um movimento duradouro capaz de transformar essas queixas em pressão política mais ampla.
Por enquanto, e apesar das concessões do governo estadual, os estudantes em Ranchi se recusam a encerrar os protestos.
"Estamos esperando para ver o que vai acontecer. Esses exames fraudulentos precisam acabar, mas nossa paciência também está se esgotando", disse Motilal Mahto, um dos manifestantes, à DW.